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Poíesis XI

Atinar na Impermanência  Para sentir a essência dela dadivei meu coração. Converti-me por instantes numa única energia junto a ela. Assimilei a desordem no âmago e a tormenta permaneceu em nós. Asfixiando a poesia natimorta, os escombros me impedem de viver nela. Ainda construo morada  com meros tijolos. Embelezamento externo (a tentar enfeitar o vazio).

Parto do Vazio XXII

silencioso luar dentro da prece a noite me inclui 

Poíesis X

core'ngrato acredite, vida  meu âmago noutros tempos foi um campo de poesia desgraçadamente infértil. eu colhia versos fartos mas incapazes de compor uma boa trova  para mitigar os amores,  mesmo sendo eles fugazes. a razão enxergou uma ótima oportunidade e adquiriu meu coração para transformá-lo  numa mera máquina de bombear sangue.

Parto do Vazio XXI

alvorada veranil  um pássaro canta  com a minha voz 

Parto do Vazio XX

canção báquica: vadiagem crescente  lavor intuitivo 

Parto do Vazio XIX

indo e revindo passos alternados num único caminhar

Poíesis IX

estático ao centro  aprecio o lugar nenhum dos mil caminhos apontados  por dedos tortos 

Parto do Vazio XVIII

sonhos cansados vendidos às pressas por homens baratos

Poíesis VIII

Esboço cada nostalgia  com os borrões da memória: transmuto a caduca lamúria  em minúsculos traços nítidos.

Parto do Vazio XVII

absoluto desperto a formiga persistente carrega a folha

Parto do Vazio XVI

pelas velhas árvores  o vento se perde, eu me abandono 

Parto do Vazio XV

olhar infindo o velho relógio badala: corriqueira eternidade

Poíesis VII

Sou um andarilho conscientemente perdido entre as estradas  passadas e futuras caminhando para (tentar) chegar à  estrada presente.

Parto do Vazio XIV

degusto o veneno ingerido à inexistente  espera da morte