de mim para mim mesmo este suposto eu carrega olhos cansados: de fitar o inexistente? de papear com o meu silêncio, um ininterpretável rascunho? ambos, pois um é o outro. tento compor-me pela imitação: um esboço medíocre, mera cópia de composições ainda mais medíocres. uma beleza deformada por gostos decadentes. ao ser tantos, não sou nenhum, como ninguém é nenhum. ao fim e ao cabo, imito a imitação: traços imperfeitos, parco refinamento, contudo, original, de um primor presumivelmente duvidoso, mas agradável aos meus sentidos e emoções. caiam, lágrimas, e me apaguem. no vazio, eu livremente me redesenho.