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Parto do Vazio XIII

outra vez ensaboado   o homem ainda deseja apenas parecer limpo

Poíesis VI

procurando-te me perco perdendo-me te enfrento enfrentando-te me derroto derrotando-me te reescrevo reescrevendo-te me encontro encontrando-me te apago apagando-te me concluo concluído, eu apenas estou  e fluo indefinidamente

Parto do Vazio XII

beija-flor embebedado a beleza transita no lapso de cada voo

Parto do Vazio XI

no livrório lido intacto repousa o velho rancor

Parto do Vazio X

a palavra oculta a experiência viva: incompletude

Poíesis V

de mim para mim mesmo  este suposto eu carrega olhos cansados: de fitar o inexistente? de papear com o meu silêncio, um ininterpretável rascunho? ambos, pois um é o outro.  tento compor-me pela imitação: um esboço medíocre, mera cópia de composições  ainda mais medíocres. uma beleza deformada por gostos decadentes.  ao ser tantos, não sou nenhum, como ninguém é nenhum.  ao fim e ao cabo, imito a imitação: traços imperfeitos, parco refinamento, contudo, original, de um primor presumivelmente duvidoso, mas agradável aos meus sentidos  e emoções.  caiam, lágrimas, e me apaguem. no vazio, eu livremente  me redesenho.

Parto do Vazio IX

imperfeito desnudado  minha pena o traduz  neste fugaz senryū 

Parto do Vazio VIII

caem as cortinas além do palco sou uma personagem

Poíesis IV

coração canta para ninguém ouvir alma grita para permanecer em silêncio encontro-me a mim mesmo, estranho errante e indeciso: colho as flores doentes que surgem pelo caminho e decoro algum jardim morto.

Parto do Vazio VII

a palavra cala, o silêncio fala: diálogos

Parto do Vazio VI

onde o céu acaba? na límpida tarde um pássaro volita

Poíesis III

Estas vidas ordinárias são interlúdios entre chegadas e partidas: tentativas de existir em busca do viver para fazer-se Ser demasiadamente Humano.

Parto do Vazio V

lua nova nas nuvens serenas dispersa-se a saudade

Parto do Vazio IV

o crepúsculo revela-se enlace dos opostos efêmero nascimento 

Poíesis II

a esperança notívaga  a lua cintila no céu noturno os raios prateados dela iluminam a dança de minh'alma ao som da vida em harmonia com o universo inteiro intento ser a água que flui livremente a encontrar caminhos sem procurá-los intento ser a flor que manifesta a divina beleza refletida ao meu redor sou a parte que volta cotidianamente ao todo sou medo e preocupações derretidas pela esperança este coração agora é vazio útil, portanto, às esperas e esperanças 

Parto do Vazio III

árvore frutifica: vida contínua, mas sem sê-la

Parto do Vazio II

olhos invernais nutrem o remanso: mais um ocaso

Poíesis I

O universo emanado em mim se manifesta, enquanto, adormecido no Eu, se prepara para a eternidade. busco-me enquanto me perco, não me reconheço — escondido nas sombras do mistério, que, ao findar-se, apaga a aparente separação,  e então tudo se dissolve: realidade dissipada, revela-se o nada: infinitude.

Parto do Vazio I

manhã chuvosa entre nuvens pálidas existe o céu azul