Poíesis V
de mim para mim mesmo
este suposto eu carrega olhos cansados:
de fitar o inexistente?
de papear com o meu silêncio,
um ininterpretável rascunho?
ambos, pois um é o outro.
tento compor-me pela imitação:
um esboço medíocre,
mera cópia de composições
ainda mais medíocres.
uma beleza deformada
por gostos decadentes.
ao ser tantos, não sou nenhum,
como ninguém é nenhum.
ao fim e ao cabo, imito a imitação:
traços imperfeitos, parco refinamento,
contudo, original, de um primor
presumivelmente duvidoso,
mas agradável aos meus sentidos
e emoções.
caiam, lágrimas,
e me apaguem.
no vazio, eu livremente
me redesenho.
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